Já não vejo flores há muito tempo.
Já não sinto frio, não tenho sonhado.
Dias cinzentos e meus olhos úmidos,
E o coração batendo abafado.
Ouço uma bulha,
Penso que vivo.
Sobrevivo mesmo após ter me matado.
Coração dilata e não altera o pulso,
Coração contrai, muito apertado.
Sístoles marcando compassos tristes,
Diástoles em tempo desordenado.
Já não sinto mais nenhum perfume.
Já não fico mais embriagado.
Meus ouvidos já não ouvem música.
E meu coração bate descompassado.
Ouço outra bulha,
Penso que vivo,
Mas não vivo mais, sobrevivo,
Perco os sentidos,
Penso que vivo,
Mas não vivo mais, sobrevivo.
KARINA POPOVICZ
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