domingo, 13 de março de 2011

INTERMITÊNCIA

Já não vejo flores há muito tempo.
Já não sinto frio, não tenho sonhado.
Dias cinzentos e meus olhos úmidos,
E o coração batendo abafado.

Ouço uma bulha,
Penso que vivo.
Sobrevivo mesmo após ter me matado.

Coração dilata e não altera o pulso,
Coração contrai, muito apertado.
Sístoles marcando compassos tristes,
Diástoles em tempo desordenado.

Já não sinto mais nenhum perfume.
Já não fico mais embriagado.
Meus ouvidos já não ouvem música.
E meu coração bate descompassado.

Ouço outra bulha,
Penso que vivo,
Mas não vivo mais, sobrevivo,

Perco os sentidos,
Penso que vivo,
Mas não vivo mais, sobrevivo.
KARINA POPOVICZ

Nenhum comentário:

Postar um comentário