domingo, 13 de março de 2011

O ABISMO E O VULCÃO

Eis que retorno à beira desse mesmo abismo
Abismo em que outrora já beirava, eu,
Quando nascida mais forte, depois da última morte
Volto a beirar essa imensidão.

Ando sem medo, beiro o perigo
Não me assusta o vazio, nem a solidão.
Antes de vir à esse precipício, estive andando à beira de um vulcão
E tomei para mim coragem.

Sei do tamanho do voo, sei do impacto da queda
Mas insisto em me atirar de cabeça
Já acostumei meu corpo com as pedras
E meus olhos vão abertos, para que eu jamais esqueça.

Tão queimada de lava, pele fina e sensível
Quero essas águas refrescando minha alma
Ora esse vazio me destrói, ora o vazio me acalma
E a minha velha companheira, solidão me faz companhia.

Abandonarei o meu corpo daqui muito em breve.
Pois se aqui não estou, estou a me queimar,
Com o corpo tomado em lava à latejar.
E no fim dessa morte, eu renasço de novo, beirando esse mesmo abismo de outrora.

KARINA POPOVICZ

Nenhum comentário:

Postar um comentário